
O enjoo vem,
e percebo que não estou doente.
O que será então, que está me enojando a ponto de me querer fazer vomitar?
Não foi a lasanha de ontem, muito menos a carne da semana passada.
A garganta já não suporta mais.
Precisa gritar.
A boca parece estar seca...mas não seca de saliva,
Ela está seca de palavras, de gritos, de vontade de lutar.
Uma luta? Em meio de tantas outras?
Sim, uma luta...sem o sangue, sem a dor...
Finjo. A dor está presente em cada um dos brasileiros que ainda não perceberam que este enjoo também os atingirá.
Vejo claramente a causa de tudo isso.
Em meus livros de história, percebo como a população era diferente, como o espírito de fazer parte desta era revolucionário.
O poder do povo era temido pelos generais, que com sua ditadura mataram e sumiram com milhares.
O poder do povo tirou presidentes corruptos de seus cargos.
O poder do povo foi as ruas, com caras pintadas, cantando seus hinos de liberdade.
O poder do povo foi, finalmente, ouvido.
O enjoo está no absurdo que hoje é a política brasileira.
Ele está em minha garganta de tanto engolir um passsado que, não muito longe, mudou radicalmente o modo de viver.
O enjoo enfim, é dado como a dor de uma jovem brasileira, incapaz de mudar a realidade, mas que em seus sonhos mais profundos, pede pela coragem do passado.
O silêncio vivido pela nossa nação hoje, custará caro amanhã.
Onde está o povo brasileiro?
Sim, infelizmente nós teríamos que o ser.
E o que eu farei agora?
Nada. Está é a realidade do povo brasileiro.
A critica não muda, o que irá transformar são as ações.

